Bíblia 123

Bíblia / Salmos

Salmos 139

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1Senhor, tu me sondaste, e me conheces.

2Tu sabes o meu assentar e o meu levantar: de longe entendes o meu pensamento.

3Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.

4Não havendo ainda palavra alguma na minha lingua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.

5Tu me cercaste por detraz e por diante; e pozeste sobre mim a tua mão.

6Tal sciencia é para mim maravilhosissima; tão alta que não a posso attingir.

7Para onde me irei do teu Espirito, ou para onde fugirei da tua face?

8Se subir ao céu, lá tu estás: se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás tambem.

9Se tomar as azas da alva, se habitar nas extremidades do mar,

10Até ali a tua mão me guiará e a tua dextra me susterá.

11Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz á roda de mim

12Nem ainda as trevas me encobrem de ti: mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.

13Pois possuiste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.

14Eu te louvarei, porque de um modo terrivel, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

15Os meus ossos não te foram encobertos, quando no occulto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra.

16Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escriptas; as quaes em continuação foram formadas, quando nem ainda uma d'ellas havia.

17E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as sommas d'elles!

18Se as contasse, seriam em maior numero do que a areia: quando acordo ainda estou comtigo.

19Ó Deus, tu matarás decerto o impio: apartae-vos portanto de mim, homens de sangue.

20Pois fallam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.

21Não aborreço eu, ó Senhor, aquelles que te aborrecem, e não me afflijo por causa dos que se levantam contra ti?

22Aborreço-os com odio perfeito: tenho-os por inimigos.

23Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me, e conhece os meus pensamentos.

24E vê se ha em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.

Edição: João Ferreira de Almeida, 1911 — domínio público. Ortografia histórica preservada.