Bíblia 123

Bíblia / Salmos

Salmos 44

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1Ó Deus, nós ouvimos com os nossos ouvidos, e nossos paes nos teem contado a obra que fizeste em seus dias, nos tempos da antiguidade.

2Como expelliste as nações com a tua mão e os plantaste a elles: como affligiste os povos e os derribaste.

3Pois não conquistaram a terra pela sua espada, nem o seu braço os salvou, mas a tua dextra e o teu braço, e a luz da tua face, porquanto te agradaste d'elles.

4Tu és o meu Rei, ó Deus: ordena salvações para Jacob.

5Por ti escornearemos os nossos inimigos: pelo teu nome pizaremos os que se levantam contra nós:

6Pois eu não confiarei no meu arco, nem a minha espada me salvará.

7Mas tu nos salvaste dos nossos inimigos, e confundiste os que nos aborreciam.

8Em Deus nos gloriamos todo o dia, e louvamos o teu nome eternamente (Selah).

9Mas agora tu nos rejeitaste e nos confundiste, e não saes com os nossos exercitos.

10Faze-nos retirar do inimigo, e aquelles que nos odeiam nos saqueiam para si.

11Tu nos entregaste como ovelhas para comer, e nos espalhaste entre as nações.

12Tu vendes por nada o teu povo, e não augmentas a tua riqueza com o seu preço.

13Tu nos pões por opprobrio aos nossos visinhos, por escarneo e zombaria de aquelles que estão á roda de nós.

14Tu nos pões por proverbio entre as nações, por movimento de cabeça entre os povos.

15A minha confusão está constantemente diante de mim, e a vergonha do meu rosto me cobre:

16Á voz d'aquelle que affronta e blasphema, por causa do inimigo e do vingador.

17Tudo isto nos sobreveiu: comtudo não nos esquecemos de ti, nem nos houvemos falsamente contra o teu concerto.

18O nosso coração não voltou atraz, nem os nossos passos se desviaram das tuas veredas;

19Ainda que nos quebrantaste n'um logar de dragões, e nos cobriste com a sombra da morte.

20Se nós esquecemos o nome do nosso Deus, e estendemos as nossas mãos para um deus estranho,

21Porventura não esquadrinhará Deus isso? pois elle sabe os segredos do coração.

22Sim, por amor de ti, somos mortos todo o dia: somos tidos na conta de ovelhas para o matadouro.

23Desperta, porque dormes, Senhor? acorda, não nos rejeites para sempre.

24Porque escondes a tua face, e te esqueces da nossa miseria e da nossa oppressão?

25Pois a nossa alma está abatida até ao pó; o nosso ventre se apega á terra.

26Levanta-te em nosso auxilio, e resgata-nos por amor das tuas misericordias.

Edição: João Ferreira de Almeida, 1911 — domínio público. Ortografia histórica preservada.